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Protesto contra retirada da Caixa do Conselho Curador do FGTS e defesa do papel social do banco marcam negociação
12.04.2019

A negociação da mesa permanente, realizada nesta sexta-feira (12), em Brasília (DF), foi marcada por um protesto contra a redução da participação dos trabalhadores no Conselho Curador do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) e a retirada da representação do banco nesta instância, previsto no Decreto nº 9.737/19. Com uma faixa em defesa do fundo, os representantes dos empregados destacaram a falta de posicionamento da direção da Caixa sobre a medida.

 “O que nós estamos vendo é uma verdadeira manipulação midiática por parte da direção da Caixa e que contradiz as declarações do Presidente de que defende o banco. “Não se pode falar em defesa da empresa se estamos perdendo assento no Conselho Curador do FGTS, assistimos ao vazamento de informações sobre o provisionamento do balanço, o que fragiliza a empresa no mercado, e a redução de investimentos na marca da Caixa. As notícias e medidas da direção do banco estão voltadas para o enfraquecimento da sua posição no mercado e no cumprimento de sua função pública”, questionou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Dionísio Reis, ressaltando que tudo isso só fragiliza o banco.

Na reunião, os representantes dos empregados voltaram a cobrar contratação de mais empregados, melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros, respeito a jornada de trabalho nas agências digitais e melhorias no Saúde Caixa.

Contratação de empregados

O presidente do banco assumiu o compromisso em reunião com as entidades representativas dos trabalhadores de fazer novas contratações até atingir o teto estabelecido pelo SEST de 87 mil empregados. “Mas a informação que nos foi dada na mesa é de que estão sendo feitos estudos, mas não tem nada de concreto. Enquanto isso, nas unidades, a rotina é de sobrecarga de trabalho”, destaca Dionísio.

Intervalo 30 minutos

 

A Caixa anunciou que foi adiada do dia 15 para 22 de abril a implantação do intervalo de 30 minutos para os empregados com jornada de seis horas. A ampliação do descanso, que antes era de 15 minutos, foi uma conquista do Acordo Coletivo de Trabalho 2018/2020, com objetivo garantir a saúde dos trabalhadores.  A CEE levou para mesa a reivindicação dos empregados de que o cumprimento do intervalo seja opcional. Ficou definido que o tema voltará a ser debatido na próxima reunião, para avaliar o impacto da aplicação do intervalo e eventuais demandas dos trabalhadores.

Fechamento de agências

Sobre o fechamento de agências, a Caixa informou que não existe previsão para que ocorram e assumiu o compromisso de comunicar o Sindicato e demais entidades representativas sobre o encerramento de unidades, ao mesmo tempo em que as superintendências forem comunicadas.    

 Agências digitais

A principal reivindicação da CEE foi o respeito a jornada de trabalho dos gerentes gerais dessas unidades, que segundo denúncias encaminhadas aos sindicatos, chegam a trabalhar até 12 horas. A comissão cobrou o registro de ponto desses trabalhadores.

 Saúde Caixa

A CEE/Caixa cobrou o compromisso de ativação de comitês de credenciamento e descredenciamento por Gipes e Repes com a participação dos trabalhadores, e com a demanda de também serem responsáveis por receber as reclamações relativas ao plano de saúde. O banco informou que até o final da próxima semana encaminhará a relação dos comitês que estão instalados. “A defesa do Saúde Caixa interessa a nós empregados e nossa luta é pela sua sustentabilidade e melhora em seu atendimento”, disse Dionísio Reis.

Os representantes do banco se comprometeram também a apresentar na próxima reunião do GT Saúde Caixa, que deve ocorrer em maio, os demonstrativos financeiros mais detalhado do plano de saúde. 

Tesoureiros

As condições de trabalho dos tesoureiros voltaram a ser debatidas na mesa de negociação permanente. Representantes dos empregados relataram vários problemas, entre eles a redução absurda do encaixa das unidades, meta de redução de carro forte, desvio de função e penalização dos trabalhadores que descumprem normas relativas às suas atribuições por seguirem determinação ordem dos gestores. A Caixa se comprometeu à encaminhar comunicado às unidades orientando que o normativo seja devidamente cumprido.

 A comissão orienta os sindicatos a realizarem reuniões com os tesoureiros para debater propostas de melhorias das condições de trabalho, a serem encaminhadas à mesa de negociação. 

GANs

A CEE/Caixa também protestou contra o descomissionamento dos gerentes de Atendimento e Negócios (GANs) PJ.  Por conta do processo de verticalização, estes empregados que eram gerentes de Pessoa Jurídica, foram prejudicados. “Estão fazendo as mesmas atividades e ganhando menos. E agora o requinte de crueldade do banco é abrir PSI para as funções que foram retiradas naquela restruturação”, denuncia o coordenador da comissão.

Cobrada sobre o fim da dotação de orçamentária de horas extras e do impedimento de empregados de agências ditas não doadoras participarem dos Processos Seletivos Internos (PSIs), a Caixa informou que as duas medidas serão mantidas.

A Caixa também negou a reivindicação de reverter os reflexos financeiros para os empegados que se desligaram do banco após a greve de 2017.

Conecef

Em reunião preparatória da negociação, realizada nesta quinta-feira (11), a CEE/Caixa iniciou os preparativos do 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que será realizado em São Paulo nos dias 15 e 16 de junho.

 “É fundamental o engajamento dos trabalhadores de todo o país para juntos definirmos estratégias de enfrentamento deste cenário de ataque e fragilização da Caixa e dos empregados da instituição. Vamos resistir juntos”, finaliza Dionísio Reis.

 

 

 

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